sábado, agosto 22, 2009

Avestruzes nas escolas

Data: 22/08/2009
Veículo: O GLOBO
Editoria: OPINIÃO
Assunto principal: ENSINO SUPERIOR OUTROS

LAIS MENDES PIMENTEL e PATRÍCIA RODRIGUES
A gripe suína mexeu no calendário escolar, mas há um outro mal que afeta, de forma silenciosa e cruel, a formação dos brasileiros. Trata-se da síndrome do avestruz: aquela que faz com que o sistema educacional fique paralisado, fingindo que não é com ele. Estamos falando do despreparo de professores para a realidade da inclusão, nas escolas regulares, de alunos com necessidades especiais.
São inúmeros os casos em que fica evidenciada a inaptidão de professores e diretores de escola na hora de lidar com estudantes com alguma questão cognitiva. E a raiz deste descalabro é clara: os currículos universitários dos cursos de pedagogia não preparam futuros professores para a inclusão.
Há legislação que prevê que a matrícula dessas crianças seja feita preferencialmente na rede regular de ensino.
Mesmo assim, muitas escolas, particulares ou não, ainda negam o direito a tantas crianças de serem educadas como quaisquer outras. O argumento é tosco: elas dizem não estarem preparadas para lidar com as "diferenças".
Estudo recente mostrou a aberração forjada em salas de aula por conta do tal despreparo. A pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mostra que 96,5% dos entrevistados (pais, alunos e profissionais de cerca de 500 escolas) têm preconceito contra portadores de necessidades especiais; 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero; 91% de geração; 87,5% socioeconômico; 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial.
É fácil entender, afinal, as melhores universidades do Rio de Janeiro contam apenas com uma matéria obrigatória de Educação Especial.
Lidar com as diferenças virou então matéria de cursos de especialização, uma questão de opção. O futuro professor tem que, por conta própria, conhecer, por exemplo, educadores como Reuven Feuerstein e Vitor da Fonseca, que demonstram como promover o desenvolvimento máximo do potencial cognitivo, social e afetivo de pessoas que hoje são marginalizadas.
Professores avestruzes não enxergam a pluralidade do ser humano e escolhem colocar a cabeça debaixo da terra, fingindo que tudo está bem. Aumentam assim os casos dessa síndrome cruel, alimentados pelas escolas que os contratam e pelas universidades que os diplomam. A atualização do caduco currículo das faculdades de pedagogia seria uma vitória de todos em direção a uma educação de verdade.

Laís Mendes Pimentel, é jornalista.
Patrícia Rodrigues, é economista.

Girly

Bem, por esses dias eu estou no meu espírito "girly". Com vontade de vestir rosa, usar perfumes doces e florais, assistir Gilmore Girls e comer um pote de 2L de chicabon (o melhor sorvete de chocolate ever). Pra expressar tudo isso e esperar que passe essse espírito de Miss Piggy fiz uma playlist hiper-ultra-girly no blip.fm. O set list segue abaixo:


# Lucky - James Mraz e Colbie Caillat
# Kiss me - Sixpence None te Richer
# Leaving on a Jet Plane - Chantal Creviazuk
# Mister Sandman - The Chordettes
# My Girl - The Temptation
# Can't take my eyes off of you - Frankie Valli
# So Happy Together - Larry M. Bell (The Turtles)
# Lovefool - The Cardigans
# Big Girls don't cry - Fergie
# Do you wanna know a secret - The Beatles
# Inesquecível - Sandy & Junior
# 2 Become 1 - Spice Girls
# Bubbly - Colbie Caillat
#The Game of Love - Santa e Michelle Branch
# Tears dry on their own - Amy Winehouse

~.~ Faixa Bônus~.~
#More than Words - Extreme (porque o original é muito melhor)
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E pra ouvir é só clicar aqui!!  Visage

sexta-feira, agosto 21, 2009

Lista: Coisas para fazer pelo menos uma vez na vida

Em busca de uma inspiração para um post e tentando esvaziar um pouco esta mente inquieta, resolvi fazer uma lista de "coisas para fazer pelo menos uma vez na vida". A lista não virá numa ordem de preferências e além dos clichês "plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho", pretendo listar coisas materiais e concretas. Sempre aberta para sugestões.

* Ver os fogos do Reveillon de Copacabana;
* Passar carnaval em Salvador I - sair em blocos e camarotes;
* Passar Carnaval em Salvador II - sair na Pipoca;
* Passar Carnaval no Rio de Janeiro I - pular atrás dos blocos cantando marchina;
* Passar Carnaval no Rio de Janeiro II - ver o desfile das escolas de samba na Sapucaí;
* Ir na festa de Paritins;
* Se apresentar no palco;

Pequena, né? Espero que cresça.

Em busca de inspiração

Enfim, depois de milênios desaparecida. De ter dado uma virada e meia na minha vida resolvi voltar a escrever neste blog. No momento estou meio que estéril. Nenhuma ideiazinha na cachola, mas resolvi dar o primeiro pontapé. Vai que é só tirar o lacre pra o negócio andar.

sexta-feira, novembro 03, 2006

O Problema da Individualização

Outro dia participei de um evento no qual um jurista, ao falar de como não colocamos a nossa constituição em prática, tratou da nossa sociedade individualista. Claro, ele deu uma forte ênfase ao Brasil, mas eu diria que a sociedade capitalista como um todo é individualista. Oh, que novidade. Mas o que este discurso bonito e bem articulad ome lembrou foi outra coisa. Pra mim talvez a prova final da nossa sociedade individualista, ou mesmo o cúmulo do individualismo.

Há um tempo atrás uma amiga da faculdade me contou uma historinha. Ela estava num ônibus, indo ou voltando do trabalho que é num bairro pobre/simples/carente de Salvador, e ouviu a conversa entre duas amigas. Beltrana virava pra Fulana e perguntava qual a diferença entre pobrema e ploblema. Fulana, muito entendedora do assunto, respondeu que pobrema é quando a questão acontece com você mesma, por exemplo, "Eu tenho pobrema de rim". Mas ploblema é quando a questão é com o outro, por exemplo, "O ploblema do Brasil é a corrupção".

Pois bem, até os problemas agora são individualizados! Temos um conceito para o nosso umbigo e para o do outro. Somos seres independentes, auto-suficientes, cujos pobremas não interferem, nem são abalados pelos ploblemas dos outros. Então, o que se há de fazer?

Talvez o mais cômico dessa história toda seja o fato de outra amiga ter contado a mesma história. Os mesmos personagens (duas mulheres), o mesmo local (um ônibus popular), mas narrador diferente, um amigo pessoal dela que não conheço e que provavelmente não conhece a amiga que me contou a história. Ou será que eles estavam no mesmo ônibus? Ou será que esta definição de pobrema e ploblema esteja mais difundidas do que imaginamos? Ou será que é tudo criação da cabeça deles? Ou será que foi uma manipulação da massa para crermos que são ignorantes, mas na verdade planejam a revolução? Ou será que tostines vende mais por que é fresquinho? Ou será que o mentos realmente explode se colocado dentro da coca-cola light? Ou será que o ovo veio primeiro? Ou será que nada disso importa, afinal toda essa história vai virar uma estória, uma lenda urbana e nada mais será discutido ou feito?